Bento Wanderbrock

Atualizado: Fev 17

Sinopse:

Por cabeçudisse dele mesmo, o menino Bento ficou preso em um fliperama do shopping!

Mas o que ele veria naquela noite mudaria sua vida para sempre... Afinal quem imaginaria encontrar um samurai de dreadlocks e uma bela princesa?

História:

Bento Wanderbrock

Os pais de Bento se separaram fazia dois anos, isso aconteceu quando ele tinha nove, mas agora já era um rapazinho, como diria sua mãe.

Para que não ficasse o dia todo na escola sem fazer absolutamente nada, ou sendo bulinado pelos outros garotos na quadra, seu pai o buscava para almoçarem juntos. Eles ficavam a tarde inteira no shopping enquanto ele trabalhava de segurança. Bento amava isso porque podia ficar no fliperama de lá e ainda de quebra podia ver seu pai a hora que quisesse.

No começo ficava um pouco frustrado por não ter dinheiro para jogar, na realidade, não tinha dinheiro nem para comprar uma ficha sequer. Entretanto, achou uma saída bem rápido ao observar as pessoas. Notou que muitas delas desistiam antes da ficha de seu brinquedo acabar, então ele simplesmente ia e continuava o jogo por elas. Fez uma pequena fortuna em tickets que eram liberados das máquinas de acordo com sua pontuação no jogo. Trocava todo esse patrimônio por brindes no caixa. Adquiriu até um fone de ouvido master ovo, o qual usou para presentear o senhor Chico, zelador do fliperama.

Naquela tarde, um garoto estava fazendo birra e arremessou um preciosíssimo cartão Allpass no chão. Tudo por não conseguir passar da primeira fase de um jogo chamado Fire Puppy em modo easy mamão-com-açúcar.

“É para ficar desesperado mesmo...”. Bento rindo da situação e da falta de coordenação motora do moleque birrento e irritante. Ele o conhecia muito bem, era um dos valentões da sua sala.

Irritada, a mãe o puxou pelas orelhas e disse que o garoto não voltaria mais lá durante um mês.

Bento pegou o cartão desprezado no chão e com um sorriso de orelha a orelha, fez o que a professora de ciências sempre o ensinou: “evite o desperdício!”. Não tinha melhor maneira de colocar aquilo em prática ali se não fosse jogar até não querer mais ou até sua mãe ligar desesperada atrás dele:

- Juninho, eu não sei nem porque você tem celular, você não atende!

- Desculpa mãe... - disse em modo automático sem prestar muita atenção no que ela estava falando, afinal não era sempre que se conseguia um bônus jumper dourado no Galak Universe.

- Avise o seu pai para ele te levar em casa, eu não vou poder passar aí hoje, tá bom?

- Tá, tchau mãe, eu vou desligar porque tô quase sem bateria...

Enfiou o celular de qualquer jeito no bolso. Pensou em já colocá-lo para carregar como sempre fazia, mas estava tão entretido que seu corpo se recusou a fazer qualquer coisa que não fosse continuar jogando.

O tempo passou e seu pai foi se despedir dele... E quem disse que Bento se lembrou de dar o recado? O garoto continuou jogando, até que no fim do dia, quando as lojas estavam fechando, saiu para esperar a sua mãe... Ficou gelado quando desceu a escadaria e se lembrou do que ela havia dito:

“Avise o seu pai para ele te levar em casa, eu não vou poder passar aí hoje, tá bom?”

Pegou o celular... Arrependeu-se amargamente por não ter colocado para carregar naquela hora, voltou correndo para dentro do shopping e, graças a Deus, o fliperama ainda estava aberto!

Em uma das tomadas, que só a mãozinha dele de criança conseguia alcançar, colocou o carregador.

Enquanto esperava dar uma carga, aproveitou para ir ao banheiro, sua bexiga estava estourando. “Vai dar tudo certo”, pensou com esperança de que Chico demorasse um pouco mais para fechar ou que ele visse seu celular carregando, e por um milagre deduzisse que estivesse ali ainda... Por falar nesse simpático zelador, lá estava ele com seu headphone estiloso:

- Eu não sou cachorro não... – cantarolava enquanto desligava as máquinas.

Viu o celular de Bento, meneou a cabeça e o colocou no achados e perdidos. Um pouco antes do garoto terminar de lavar as mãos já havia terminado de fechar e colocar cadeado em tudo... Bento voou até a grade, gritou esperando que ele voltasse, mas não pode ouvi-lo, graças ao headphone.

Decidiu voltar suas atenções ao plano B, ligar para a sua mãe, com certeza ficaria com a orelha quente, mas fazer o que? Olhou para onde deixara seu celular e...

- Cadê meu celular? – entrou em pânico, abaixou e olhou pela fresta minúscula debaixo da máquina onde seu celular estava, sentiu-se um idiota por olhar ali, mas estava desesperado, decidiu dar um desconto.

- O Chico levou meu celular embora!

Conformado com a situação, deitou-se cabisbaixo e tentou dormir... Mas não dava! Sentia calafrios por todo o corpo, um frio miserável e a ideia de morrer de fome o estava atormentando... Nunca em seus longos onze anos de vida havia ficado tanto tempo sem comer! Ia morrer com certeza.

Um barulho de estática começou a percorrer cada uma das máquinas, das extremidades até se acentuar no centro... Bento até parou com seus pensamentos taciturnos para prestar atenção naquilo... Do meio de toda aquela poluição sonora, todas as máquinas ficaram com uma áurea azul galvanizada. Ele se assustou é óbvio, e escondeu atrás do banco, mas com os olhinhos atentos por entre uma das fendas das tábuas.

As luzes se intensificaram tanto que ele não conseguia ficar com os olhos abertos... Um clangor alto tremeu as paredes e as luzes se apagaram... No lugar estava um samurai de dreadlocks, vestido de uma armadura vermelha e, por mais que sua espada estivesse embainhada, não deixava de ser menos ameaçador. Bento não sabia se achava aquilo tudo muito legal ou se continuava tremendo de medo.

- Eu sei que está aí criança, não adianta se esconder!

“Vai que tem outra criança aqui, eu é que não vou sair não, tá doido...”.

- Não tem mais ninguém aqui é com a vossa senhoria que estou falando!

“Não vou ceder à pressão psicológica!”

- Eu vou ter que te tirar daí?

“Vai, até porque eu não consigo nem levantar...”. Bento sem força nas pernas.

De repente uma garota de longos cabelos negros passou correndo por ele e foi até o samurai:

- Eu tenho um exército para comandar e uma guerra para dar um fim! Vossa alteza não pode ficar fugindo! Sorte que sua mãe é a rainha se não eu ia lhe dar uns cascudos, vossa alteza!

- Mas...

As máquinas voltaram a fazer ruídos... Elas se acenderam, mas dessa vez emitindo uma luz vermelha e quente, o mesmo barulho aconteceu, e um homem com o rosto comido pelas rugas e unhas pontudas surgiu:

- Eu sabia que a herdeira não havia ido muito longe! Você ainda não é como sua mãe, mas não importa... Matei seu irmão, agora só resta você!

A garota estava apavorada e começou a chorar, o samurai a puxou para detrás de si e gritou:

- Eu te desafio para um duelo, víbora!

- Você sabe que estamos em território estrangeiro, não pode me desafiar! Somente pessoas desse mundo o podem e com coisas daqui! Agora vamos, me diga, no que você poderia me vencer Sebastian?

Bento via o horror estampado no rosto da princesa... Ele queria protegê-la daquilo e, num impulso, saiu de seu esconderijo:

- Eu te desafio!

- Você? - surpreendeu-se o feiticeiro - Seu moleque, você não pode...

Um buraco negro apareceu atrás dele e de lá veio uma corrente a qual em suas duas pontas saíram luvas de ferro, uma segurava um livro e a outra parecia escrever alguma coisa com uma pena prateada.

- Não dê ouvidos a ele, você tem todo o direito de desafiá-lo! – Samurai.

O maligno sorriu e silvou:

- Garoto essa guerra não é sua, o que você quer? Eu posso te oferecer qualquer coisa, basta você se ajoelhar diante de mim!

Bento se lembrou de uma pregação que ouvira na igreja, foi Mateus 4, nesse capítulo é relatado como Jesus venceu Satanás em suas tentações:

- Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás!

Ao proferir aquele versículo, a fé de Bento cresceu, ele sentiu que podia vencer qualquer coisa que aparecesse em sua frente.

- Vejo que conhece um pouco das leis espirituais moleque... – disse tentando manter seu rosto implacável, mas sem conseguir esconder o suor da testa.

- Não quero conversar, vou te vencer!

- Você que escolhe o desafio guerreiro honrado! – exclamou o samurai.

A princesa olhava tudo apreensiva, mas ela não precisava dizer nada. Seus belos olhos castanhos já demonstravam o quanto ela estava torcendo por ele é claro se não ela ia morrer.

- Eu te desafio em uma melhor de três naquele jogo! – apontou para uma das máquinas mais antigas do lugar e a preferida de Bento... As letras estilizadas e inconfundíveis indicavam: Street Fighter II.

A mão metálica anotou mais alguma coisa no livro e os dois iniciaram o duelo... Não durou muito, Bento o venceu com tranquilidade... O feiticeiro parecia não acreditar, gritou em cólera, as mãos o puxaram para dentro do buraco negro... Suas unhas pontudas fizeram sulcos no assoalho enquanto era arrastado ferozmente, seu último grito foi abafado pelo portal que desapareceu.

O samurai se ajoelhou diante de Bento, a princesa saiu detrás e declamou em alto e bom som:

- O país de Galak está em débito com você... Qual é seu nome guerreiro honrado?

- Bento! – disse todo orgulhoso com o peito estufado.

- Bento, como prêmio por sua bravura, posso lhe conceder qualquer coisa que queira, até metade de meu reino se assim lhe agradar.

Estava encantado, podia pedir qualquer coisa que quisesse! Mas só uma coisa vinha em seu coração agora... Seus pais, queria muito que sua família voltasse a ser unida como era antes:

- O que lhe aflige guerreiro? Posso ver em seu semblante que está triste!

- Eu não consigo pensar em nada, a única coisa que eu queria era a minha família unida de novo...

- Desculpe, não posso fazer isso Bento, mas por conta de seu nobre pedido lhe darei livre acesso ao reino de Galak, como membro de minha corte real e futuro marido daqui a dez anos, até lá, meu nobre guerreiro estarei lhe esperando.

Bento ficou branco, casamento? Eles eram apenas crianças! Antes que pudesse reagir ou até mesmo dizer algo, um anel prateado se materializou em seu dedo e os dois sumiram em meio a um relâmpago azul.

- Bento! – seus pais apareceram gritando por ele.

Ele correu para a grade e gritou de volta, sabia que ouviria um belo sermão de sua mãe e talvez levaria uns cascudos de seu pai, mas o amor que sentia por eles era maior que qualquer coisa.

...

Fim... ou quase... Você quer a continuação dessa história? Tem alguma coisa pra dizer ou reclamar? Sou toda ouvidos, me mande um email no: contato@tatidemira.com, ou deixe seu comentário.

Tati de Mira




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