O Gato Agenor Meira

Atualizado: Fev 17

Sinopse: O que se passa na cabeça dos gatos? Aqui nessa história ficamos por dentro da cabecinha do gato Agenor Meira e de todo o seu humor ácido e, porque não, fofo!

História:

O Gato Agenor Meira.

É sempre assim, ela sai de casa e só volta quando aquele carro com o rato gigante vira a esquina... por falar nesse carro maneiro... ele precisa esnobar assim? É claro que precisa! Se eu tivesse caçado um rato daquele tamanho também ia ficar andando com ele por aí.

Agora, voltando a minha lamuria, eu fico sozinho e durmo, daí eu fico mais triste e como, depois eu durmo de novo e como... e assim vai indo... e ela ainda pergunta por que eu estou tão pançudo!

O triste é ser abandonado assim... Tá, eu sei que estou exagerando, mas já que tocamos nesse assunto, foi assim que ela me encontrou. Eu era o último de uma ninhada de sete... Minha mãe sumiu, me colocaram numa caixa separada de todos os meus irmãozinhos, eu era magrelo, cabeçudo... feio que doí... meus olhos tinham tanta remela que você só conseguia diferenciar um do outro por causa da cor.

...

Nunca saí de casa, também nem tenho a mínima vontade, dá preguiça só de pensar nisso... Como esses gatos vivem na rua? É tão mais prático ter uma casa, pra que sofrer assim? Por isso eu digo: esses gatos de rua são burros... Lá se vai o carro do rato gigante! Ela vai chegar em 3,2,1... lá está ela! Com a mochila e um... outro humano? O que? Quem é esse? Vou cheirá-lo... O cheiro diz muito sobre as coisas, sabia? O cheiro dele me dizia que ele não era de confiança! Quem cheira pneu com aveia? Quem! Vou me esconder... Estou escondido... Não! Ela me pegou, que mania feia de me mostrar para todo mundo, até pra esse humano maléfico.

- Leo, esse aqui é o meu gato Agenor Meira. - disse me segurando firme como se eu fosse arranhá-lo... como ela sabe que é isso que eu vou fazer?

- Por que o nome dele é Agenor Meira? - perguntou com sua risada maquiavélica do mal.

- Por que eu o achei na rua Agenor Meira, ele não é lindo? - ela tentando me beijar, mas eu estou tenso não consigo demonstrar reciprocidade, entendem? Não dá para ronronar e nem dar o meu miado amigo de volta.

- Eu não gosto muito de gatos... - confessou o meliante.

- Por que... - finalmente ela me soltou, fui para meu castelo, mas como dizem: um olho no cachorro e outro no salgadinho, fiquei ouvindo os dois conversando.

- Porque quando eu era criança um gato pulou na minha cabeça, daí eu meio que fiquei com trauma, mas olha só... eles são muito chatos!

Chata é sua mãe aquela véia...

- Não Leo eles são bem legais... Quantas pessoas vão vir pro grupo de estudo?

- Eu convidei a Jaque, a Patrícia, o Ernesto e o Gabriel... E talvez o Enzo venha também...

- Qual dos Enzos?

- Os três... Eu acho que você vai ter que comprar mais snacks...

- Nossa, tem razão vou ter que comprar mais! Leo, a Jaque tem intolerância a glúten né? Se eu comprar biscoito de polvilho para ela será que dá?

- Talvez, a gente não vai jantar aqui também relaxa.

- Eu vou lá comprar então, você pode ficar aqui é rapidinho eu já volto.

Essa não! Eu vou ficar sozinho com esse meliante, socorro! Ela fechou a porta e saiu, deixa eu ir ver o que ele está fazendo na minha casa... Como eu pensei! Não está fazendo absolutamente nada! Deve estar arquitetando algum plano maligno!

- Nossa como você é feio! Sabe o que eu vou fazer com você se continuar me olhando com essa cara de arrogante? Eu vou te enfiar num saco e jogar pela janela!

Experimente chegar perto de mim que você vai ver só! Ah! Não é que ele veio mesmo? Socorro! Humana, socorro! Não! Ele puxou meu rabo, meu ponto fraco mais sensível depois dos meus bigodes... Hei! Você vai me por aonde? Esse saco preto? Não podia ser uma caixa de papelão não? Ah! Cuidado! Me solta! Eu prometo que te dou todos os meus petiscos naturais, eu prometo.... Alguém me ajude! Socorro! Está tudo escuro... Ei, cuidado! Por que você está me arrastando? Os degraus, cuidado com os degraus! Você não tá vendo seu vesgo...Ai! E agora? Por que paramos? E que cheiro ruim é esse? Ei, está cheirando aquela ração horrível que eu vomitei ontem, as meias velhas da minha humana e muitos outros cheiros de coisas que geralmente os humanos jogam fora... Ei! Isso significa que eles vão me jogar naquele caminhão de coisas inúteis e fedidas! Mas não vão mesmo! É só eu arranhar isso aqui e... Minhas unhas! Esqueci, cortaram minhas unhas! Me lasquei!

- Ei, para de escândalo, o nó tá frouxo ali em cima é só você morder e puxar, vai sair rapidinho...

Era um cheiro como o meu, mas estava misturado com fumaça e poeira, devia ser um desses gatos de rua burrinhos. Sem alternativa fiz o que ela me pediu e não é que deu certo?

- Obrigado!

Olhei em volta, mas ela havia sumido, seu cheiro estava próximo, mas não a vi mais, muito estranho... Pelo menos acho que sei voltar pra casa, o andar da minha árvore é aquele com as flores secas...

- O que você tá fazendo aqui fora Agenor! - graças a Deus, disse minha humana segurando algumas sacolas.

- O seu amigo meliante fez isso comigo! Nunca confie em alguém que cheira pneu com aveia!

Ela me pegou, olhou em volta e viu o saco aberto de onde sai:

- Te colocaram aqui dentro?

- Sim! Não foi o que eu acabei de dizer?

Ela me pegou no colo e eu ronronei, sabe como é, não aguentei a pressão... Para subir usamos uma caixa que leva as pessoas sem se mexer, o que é muito bizarro, mais bizarro do que árvore de natal... Chegamos! E lá estava ele fuçando nas gavetas! Espero que a minha humana brigue com ele do mesmo jeito que ela briga comigo quando eu faço isso...

- O que você está fazendo?

- Por que você tinha que voltar logo! Agora eu vou ter que te calar Júlia! - ele se virou tão rápido que meus olhos treinados mal conseguiram ver, era uma faca que segurava, estava pronto para acertá-la quando sem pensar duas vezes, eu pulei na cabeça dele... Julia estava gritando, eu mordi a cara dele o máximo que pude até ele me arremessar na parede... Minha visão ficou turva, mas consegui ver um pequeno borrão preto sagaz cruzar a sala e continuar meu trabalho... Era o mesmo cheiro de antes, igual ao meu! Não conseguia me mexer, queria ajudá-la... O meliante não conseguiu arremessá-la como fez comigo, porque um outro humano apareceu e o mobilizou! Ê! estava tudo bem... Espera... Porque a minha visão está ficando preta...

...

Uou... que calor gostoso... espera onde eu estou? E por que raios o pelo da minha barriga tá raspado? Eles devem ter me levado na casa do homem de branco de novo... Mas pelo menos estou em casa... Calma, deixa eu confirmar se está tudo ok... Ai que preguiça! Vamos lá antes que eu capote de novo... Almofada vermelha confere... caixa de areia confere... pote de ração confere... Humana confere... abraço sufocante da humana confere também... gato estranho confere... Tudo certo! É minha casa mesmo... Espera! Gato estranho?

- Agenor não se assuste... É a nossa nova companheira!

- Como assim? Eu fico só algumas horas desacordado e você arranja outro gato!

- Escandaloso como sempre... - disse a destruidora de lares.

- Ei! Eu conheço você! - modo cordial ativado... ergui o rabo e fui cheirá-la, e não é que era mesmo a gata que me ajudou com o saco de lixo e bateu no meliante?

- Tá vendo, ela vai morar com a gente agora! Vou pegar um pouco de petiscos para vocês.

Ficamos sozinhos, frente a frente eu tinha que perguntar (e não a curiosidade não matou o gato):

- Até que enfim você foi esperta e procurou uma casa! Por que não procurou antes?

- Sempre procuramos Agenor, sempre, mas não são todas as portas que se abrem para nós.

FIM .

Tati de Mira



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