O Vendedor de Máscaras

Atualizado: Fev 17

Sinopse: Depois de um encontro inusitado com um vendedor de máscaras, Reginaldo passa a ver as pessoas de um jeito diferente... Para descobrir como, leia essa história!

História:

O vendedor de Máscaras.

A praça estava vazia. Reginaldo era o único que se aventurava ali àquela hora da noite, tudo por causa de um lanche... Sua fome até havia sumido.

"Eu vou voltar! Deus me livre...". Pensou enquanto dava meia volta.

- Não volta não, Reinaldinho! - uma voz familiar... Se virou e era um de seus amigos, mas um que ele não via a uns bons meses, estava arrastando um saco enorme.

- O que foi? - olhou desconfiado.

- Reinaldinho! Eu preciso que você compre uma máscara!

- Cara, isso tá muito estranho, vou embora...

- Não, por favor! Então só pegue uma das máscaras... Ei! Não corre!

Reinaldo já tinha virado a esquina.

...

Acordou de manhã para ir trabalhar e lá estava seu conhecido do outro lado da calçada bem debaixo de uma goteira. Ele continuava com o saco, mas dessa vez segurava uma placa feita de papelão escrito assim: "compre, pelo amor de Deus".

Reginaldo se irritou, atravessou e foi falar com a figura. Pelo menos agora era de dia e a rua estava movimentada:

- Que desespero é esse?

- Por favor, só compre uma!

- Se eu comprar você para de me encher?

- Mas é claro! Escolhe!

- Me dá qualquer uma!

- Não, você tem que escolher! Vai! escolhe... - abrindo o saco.

- Tá... - olhou por cima e todas eram lisas, cada qual com uma cor diferente, pegou uma amarela no canto da sacola - Quanto é?

ele abriu a carteira e só tinha cartões e uma balinha.

- Pode me dar a bala!

- Tá bom... - concordou pagando com a balinha amassada.

- Obrigado! - entregou a máscara, fechou o saco e saiu sem se despedir.

Reginaldo nem ficou ofendido dele ter saído assim, queria se livrar logo daquilo, mais cinco minutos e ia perder o ônibus.

...

Reinaldo era secretário em sua antiga escola do jardim de infância, era estranho voltar para lá depois de adulto. Às vezes, ficava com uma sensação nostálgica, de tempos em tempos olhava pela janela de seu escritório e admirava o pátio, toda aquela graminha verde aparada, o parquinho, a máscara amarela...

"Mas que porcaria é essa!" Correu para o parquinho onde a máscara, que ele jurava ter jogado fora, estava no meio do tanque de areia.

"Eu não acredito que aquele idiota pegou a máscara do lixo e tacou aqui dentro!", limpou a máscara suja de areia, levou para dentro e colocou na mochila. Pensou em dar a máscara para o seu sobrinho, mas ela era tão sem graça e feia que não valia pena, ia queimá-la quando chegasse em casa.

...

Começou a bocejar, o trabalho na secretaria às vezes era monótono... deu uma piscada lenta...outra... e outra... Decidiu distrair a mente antes que batesse com a testa na mesa. Pegou a máscara amarela e a olhou, aquela cor viva fez o sono se afastar um pouco, mas não o suficiente, ele tinha que se mexer, fazer alguma coisa, decidiu colocá-la... Em poucos instantes não a sentiu mais no rosto, era como se tivesse evaporado. Não sentia mais o plástico frio, nem as rebarbas dele... Levantou-se e correu até o banheiro, realmente não tinha mais nada. Ficou assustado, dedilhou todo o rosto com as pontas dos dedos sem acreditar, por fim, levou um susto quando o zelador Tonico entrou, ele estava com uma expressão lúgubre e bem fechada. Reginaldo nunca o vira daquela forma, Tonico sempre estava feliz, seu sorriso era sempre aparente e constante.

- O que foi meu amigo? – perguntou o velho senhor, virando-se para pia enquanto lavava as mãos.

Reginaldo o olhou pelo reflexo do espelho, e a imagem daquele senhor era outra. Lá ele estava feliz, seu semblante era lépido como sempre fora... Mas assim que olhava para ele sem ser pelo filtro do reflexo do espelho, a mesma imagem carrancuda que o assustou ainda era presente.

Ficou desnorteado, saiu do banheiro sem dizer nada, estava suando frio... Decidiu voltar e fazer outros testes. Um dos professores havia entrado e não aconteceu nada, outro e outro e nada... Mas quando estava decidido acreditar que tudo não passava de uma alucinação, talvez por ele ter comido demais no almoço, o zelador apareceu novamente... Sua expressão estava pior que antes, mas pelo espelho seu sorriso continuava mais esticado que nunca.

- Você não está bem, Tonico! - finalmente disse.

Ele o olhou espantado:

- Por que você diz isso?

- Porque você não está bem! Parece até que você vai morrer!

Ele arregalou ainda mais os olhos e começou a chorar, dessa vez a imagem do espelho condizia com a imagem que via a sua frente.

- O que foi, senhor Tonico?

- Eu... eu estou cansado de ficar sozinho... Dês de que minha esposa morreu, eu não tenho ninguém, eu chego em casa e a minha dor só aumenta!

Reginaldo sabia que o senhor Tonico era sozinho, sentiu-se mal por nunca ter feito nada para ajudá-lo.

- Eu penso em tirar minha vida todos os dias, sempre peço a Deus que tenha pena da minha alma, mas eu.... simplesmente... não consigo mais viver!

Reginaldo chorou com ele, e naquele instante decidiu ajudá-lo, coisa que devia ter feito a tempos, com ou sem a máscara amarela.

FIM.

Tati de Mira




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