O Brucutu e o Mamute

Atualizado: Fev 17

Sinopse:José Brucutu está pronto para participar de uma corrida contra seu rival, Ragnar Brutamontes, sempre que se viam era disputa na certa, além do mais agora que José estava de montaria nova.

História:

O Brucutu e o Mamute

Brucutu José havia acabado de chegar a Gramínea. Como todo brucutu, precisava de uma montaria à altura. Havia um leão, um tigre, um dragão da névoa e um mini mamute.

- Qual vai ser senhor? - perguntou a vendedora gentilmente.

- Eu quero o mini mamute! Ele combina comigo, veja! Nós dois somos robustos, peludos, e...

- Burros... - disse um dos membros dos brutamontes, homens igualmente grandes e peludos, mas com uma pelagem ruiva, ao contrário dos brucutus, que tinham pelagem escura.

- Burro é o seu pai, aquele cabeça de porunga!

- Oh! Nunca fui tão ofendido!

- Oh! Você sempre anda ofendido! Dessa vez vou fazer você ficar realmente ofendido! Eu e o ... – deu uma olhada para seu mamute e voltou as atenções ao seu rival:

– Meu mamute Adamastor vamos te vencer em uma corrida!

- Você e seu bichinho de pelúcia não são páreos para o meu dragão da névoa!

Dragões da névoa se dão muito bem em pântanos (o que não era o caso aqui), e os mamutes, bem... eram de climas gélidos, mas não os mini mamutes! Devido ao seu tamanho compacto, como o de um cavalo, e a pelagem dupla, eram ideais para se adaptarem a qualquer tipo de clima, sem contar suas patas fofas, que davam maior aderência tanto na neve quanto na areia. E assim, Emilio perdeu. Seu dragão derrapava muito, em uma das vezes ficou soterrado, e só a cabecinha dele ficou para fora.

Depois de vencerem, Emilio ficou novamente ofendido e se mandou, deixando seu rival e o mini mamute sob uma nuvem de xingamentos, os quais José não conhecia nem a metade.

...

O mini mamute custou muito dinheiro, eram muito difíceis de se encontrar, mas com o tempo, seu mamute foi crescendo e... não era um mini mamute! Era um gato... não! Era um mamute normal!

- Adamastor você é um mamute! Disse olhando para o grande pequeno.

- A vá! – uma velinha passando na rua ao lado dele.

José olhou-a de esguio e continuou com sua indignação.

- Adam! Você deve voltar às suas origens! - disse afagando a pelagem dele.

José teve a impressão de que Adamastor estava tão triste quanto ele por sua despedida.

...

Antes de partir, José teve de ir até a assembleia de seu clã, a final, o dinheiro que usara para comprar sua montaria era de impostos da vila. Ele não podia devolvê-lo assim sem prestar contas.

O local da assembleia era um antigo galpão de grãos, ainda era possível ver sacos de pano vazios amontoados nos cantos. A mesa central era em formato de u, onde um banco de três pernas ficava ao centro. A pessoa que tivesse algo a ser decidido, sentava-se ali:

- Tinha que ser o Zé! – começou o burburinho, acusando-o de ser burro, cabeça-oca e daí para pior...

- Silêncio! – ordenou o chefe da assembleia e o mais velho da vila, senhor Alfino. Ele era grande como os outros, mas devido a idade, aparentava ser um pouco menor por andar sempre arqueado.

- Todos nós cometemos erros...

- Mas o José é demais! – zombou uma das vozes acusadoras.

Todos riem, menos o ancião, José chateado, abaixou a cabeça.

- O próximo a falar algo contra José, limpará os estábulos com as mãos!

Não se ouvia mais nada, nem mesmo suas respirações. Os estábulos dos brucutus eram conhecidos por serem os mais fedorentos da região.

- Brucutu José, você tem permissão para devolver a criatura em seu habitat, ela parece estar sofrendo com o clima quente daqui.

- Eu sou a favor de matarmos a criatura, comermos sua carne e usarmos...

José deu um murro na boca dele antes de concluir, fazendo-o cair de costas.

- Ninguém vai encostar no meu amigo! No meu único amigo! – disse com os olhos marejados.

- Rebelião! Prendam-no! – gritou um dos que estavam ao lado do homem caído.

A multidão ficara inflamada, nem mesmo o ancião conseguiu detê-la. O pobre José acabou sendo arrastado e preso, ele estava muito triste no canto da cela quando recebeu a visita do ancião.

- José, eu consegui acalmar as coisas, mas você precisa partir com o seu mamute.

- Obrigado ancião, não vou demorar! – disse inclinando a cabeça em sinal de respeito e gratidão.

- Eles não te querem mais aqui José... você não pode mais voltar. – o ancião colocando uma das mãos no ombro dele.

José estava desolado, as pessoas da vila nunca gostaram muito dele, mas não achou que chegaria a esse ponto... Desde pequeno foi assim, sentia-se deslocado por ser introvertido. Seus colegas de vila sempre faziam gozação por ele ser quieto assim, tacavam pedras nele, pedaços de madeira e o que mais podiam encontrar para machucá-lo, incluindo suas próprias palavras.

Sem ter escolha José partiu com seu mamute numa jornada rumo a sua nova vida, mas com o conforto de uma promessa dita pelo ancião a ele: “Deus faz que o solitário viva em família...”. Salmos 68:6.

...

Fim,

Tati de Mira.

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