Garotas CEOs: Capítulo 1 - Lascou

Atualizado: Fev 16

Estavam todos almoçando uma bela refeição de domingo, tinha um frango enorme na mesa parecendo um dinossauro.

- Onde vocês compraram esse frangão? – era o pai da família, o patriarca, Gilson. Tinha baixa estatura, mas era corpulento.

Havia mais três pessoas: duas mulheres e um rapaz. Todos eram filhos de Gilson. A morena de cabelo curto, sentada à sua direita, era Antonela, a baixinha do lado esquerdo, Ingrid, e o garoto ao lado dela, arqueado sobre uma apostila, era Benício.

- Onde a gente sempre compra pai... - disse Antonela.

- Esse não é aquele frango da competição? – perguntou Gilson.

- Não sei - desconversou Ingrid.

- Vai me dizer que o Nícolas deu esse frango por causa da sua irmã!

- Ela nunca vai ser nossa irmã... - resmungou Benício baixinho.

- O que você disse Benício?

- Nada...

Gilson o olhou desconfiado e continuou:

- Para de ficar nisso aí, a mesa é lugar para comer!

- Que droga, se fosse aquela bastarda imunda você deixaria! - gritou saindo da mesa.

Gilson se levantou para ir atrás dele, mas Antonela o segurou:

- Pai, deixe isso pra lá, vamos comer...

- Onde está a Virgínia?

- Ela disse que ia ficar na casa de umas amigas fazendo um trabalho...

- É por isso que ela não veio com a gente. - completou Ingrid.

A porta se abre, uma garota de cabelo castanho escuro e olhos ovalados entra toda suada.

- Filha que trabalho rápido...

- Que trabalho pai? - perguntou a menina.

Antonela levou a mão a testa e Ingrid gritou:

- Por que você não fica quieta?

- Vocês a deixaram na escola de novo! Já chega! - vociferou ele - Todo mundo para sala, já!

As garotas obedeceram, Ingrid esbarrou em Virgínia de propósito, logo que o pai saiu para buscar Benício.

Com todos os filhos já presentes na sala, chamou Virgínia para que ficasse ao seu lado. A garota envergonhada, preferia olhar para o chão a ter que encarar o desprezo dos irmãos:

- É a irmã de vocês! Pelo amor de Deus!

- Não, ela é a prova viva de que o senhor traía a mamãe! - disse Ingrid apontando o dedo para Virgínia.

- Exatamente! – concordam Benício e Antonela.

- Ela não tem culpa disso! Ela é irmã de vocês tanto quanto... - Gilson colocou a mão no peito e se ajoelhou, estava arfando, seus filhos tentaram socorrê-lo, mas era tarde, o pobre velho tinha tido um infarto fulminante.

...

Virgínia foi transferida para um orfanato, seus outros irmãos não quiseram ficar com ela e, por ter só quatorze anos, não podia usar em nada a herança do pai.

Passou sua vida toda estudando na pior escola da cidade, a maioria dos alunos eram envolvidos com álcool, drogas, prostituição e todo o tipo de imoralidade.

Virgínia tentava aprender o máximo que podia sem chamar muito atenção, mas inevitavelmente, não deu certo. As outras garotas começaram a implicar com ela por causa do seu comportamento introvertido, das notas que tirava e dos elogios constantes que os professores lhe faziam.

Hoje, na aula de química, não foi diferente, a professora Harue estava entregando as provas e, mais uma vez, aproveitou a situação para elogiá-la. Virgínia não gostava nenhum pouco disso, as pessoas já não iam muito com a cara dela, quando era elogiada dessa maneira o ódio deles só aumentava (se é que isso era possível).

Assim que saiu da escola, foi cercada por um grupo de garotas. Uma delas colocou algo pontudo entre suas costelas e disse para que ela não gritasse... Elas a empurraram para dentro de uma casa abandonada e começaram a espancá-la, Virgínia gritou, mas quanto mais pedia por socorro mais era sufocada por murros e chutes, uma das meninas a amordaçou e depois uma outra com um estilete disse:

- Me deixa cortar a cara dela!

Virgínia não conseguia abrir os olhos de tão inchados que estavam, ela tremia, a única coisa que conseguia fazer era orar... Um grito desesperado de seu coração, pedindo que Deus a salvasse dali.

Um som de tiro seguido por um tilintar de estilhaços batendo no assoalho as assustaram, elas olharam para trás e havia um garoto de cabelo castanho e olhos esverdeados segurando uma arma... Correram atônitas, deixando o corpo de Virgínia estirado no chão.

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VERSÃO NARRADA:


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