Garotas CEOs: Capítulo 4 - Reencontro.

O jornal da cidade de Segunda-feira geralmente não tinha muita coisa de destaque para noticiar, mas quando um escândalo como o da empresa Guaranitos, a principal mantenedora da cidade, vinha à tona, eles tinham o dever de falar daquilo todo o santo dia...

- E agora nós vamos passar com exclusividade, eu repito, exclusividade! A 20ª parte da entrevista com a família Favero!

A mesma vinheta que eles usavam para anunciar notícias de acidentes e coisas mórbidas estava tocando agora...

- Senhor Benício, então o senhor não recebia propina do governo? – era uma repórter baixinha.

- Pela 20ª vez, não!

- E a funcionária que está acusando o senhor, senhor Benicio, de assédio e racismo?

- Ela é uma oportunista! Eu não tenho culpa se ela não consegue bater a meta...

- Mas e a acusação de assédio?

- Eu nunca ia fazer uma coisa dessas, eu sou casado e tenho filhos! Ela que tentou se insinuar para mim, como eu não quis nada, inventou essa história...

- O senhor tem provas disso?

- Sim.

- Pode mostrar para a gente?

- Não, está com o meu advogado.

- Ok, você gosta de sushi?

- O que isso tem a ver?

- Por quê? o senhor tem preconceito contra a cultura japonesa?

- Não, eu só não gosto... detesto na verdade!

- O senhor acabou de ofender toda uma cultura, como o senhor se sente?

A musiquinha sinistra começou a tocar de novo e cortou para o apresentador do jornal.

- Mais dessa entrevista polêmica amanhã cedo! O Jornal da Matuta vai ficando por aqui! Tenham todos um dia estupendo!

As pessoas do aeroporto viram essa reportagem sendo exibida nos telões da sala de embarque. Ingrid viu tudo enraivecida, tinha a mesma aparência de anos atrás, mas seus olhos cansados denunciavam sua idade, um pouco mais madura. Ela estava esperando seu voo vestindo uma echarpe cinza e óculos de gatinho.

- Moça, você está bem? – Perguntou uma senhorinha.

- Sim estou! - disse com os dentes cerrados.

- Espera, eu te conheço! Você é uma das donas da Guaranitos! A irmã do Benício!

- Não é da sua conta! - disse se levantando e indo até o painel de vidro logo a frente.

...

Na casa de Nícolas, ele e Virgínia estavam tendo o encontro mais surreal de suas vidas:

- Eu não acredito! Você é o policial que salvou a minha irmã?

- Na erdade eu só fiz o meu derer... Dorga! - ele com vergonha de falar daquele jeito.

- O que aconteceu com a sua fala? Você vai ficar bem?

- Eu fui na dentixta e aplicarram anestechia errada em mim...

- Nossa! Você tá podendo comer? Bem... É que eu trouxe isso aqui... Me desculpe!

- Poxu sim, obrirgadu... - disse pegando a sacola cheirosa.

Virgínia estava rindo, com as bochechas coradas.

- Você não adivinha o que é?

Ele aproximou a sacola do nariz e cheirou, era frango assado.

- Não é tão bom quanto o da sua mãe, mas...

- Axa, muito obrirgadu... - alegrou-se por ver que ela ainda se lembrava dele.

Virgínia sentiu seu coração se aquecer ao reparar no belo sorriso dele e na covinha charmosa que fora formada do lado direito.

- Quer entrar? – convidou olhando-a fundo nos olhos.

- Eu tenho que ir agora Nícolas, foi bom te ver... Até... - despediu-se desviando o olhar.

Nícolas não respondeu, apenas a olhou indo embora... Outra vez.



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