Garotas CEOs: Capítulo 5 - Pega ladrão!

Conseguiram pegar o notebook das meninas ainda aquela manhã, os ladrões não haviam ido muito longe. Tinham parado para comer esfirra e, ao tentar assaltar o estoque do restaurante, ficaram presos no freezer.

No interrogatório, disseram que trabalhavam para uma “força maior”... Ou eram as drogas ou o gelo do freezer que tinha prejudicado os neurônios deles, mas, de qualquer maneira, a força maior fez sentido, quando brotaram vários advogados ricaços na delegacia que conseguiram converter a pena deles em quatro meses de serviço comunitário, encerrando o caso.

Nícolas temeu por Virgínia, decidiu investigar por conta própria, já que seu parceiro Jão disse que só moveria seus preciosos músculos se tivesse uma prova concreta... Nícolas sabia muito bem que prova concreta era essa, se o mundo não caísse na cabeça dele ou a coxinha da padaria da esquina não acabasse, estava tudo em paz e qualquer outra coisa além disso era paranoia...

- Por que você está com essa cara de zumbi?

- Nada eu só...UAAAAA... - grunhiu ao abrir a boca para bocejar, dava até pra ver as amidalas dele.

- Você tá com uma namorada nova, né? Seu safadinho! – Jão dando um soco no braço dele.

- Não é nada disso seu boçal! Me deixa em paz... – disse esfregando os olhos enquanto tomava um longo gole de café.

- A July e eu estamos namorando! Eu a pedi ontem à noite e... Você está dormindo?

Jão deu um chacoalhão em Nícolas, o garoto acordou assustado:

- Seja lá o que você esteja fazendo, é melhor maneirar... Você ainda está em estágio probatório, se o comandante te pegar dormindo assim, vai levar advertência.

- Tá, falou o cara que pede propina da padaria! – disse irritado.

- Eu só peço e eles dão, o que vou fazer a respeito?

- Nem vou comentar o jeito intimidador que você pede...

Jão freou o carro bruscamente e o olhou de um jeito ameaçador.

- Cara, só me deixa em paz... – respondeu Nícolas.

...

Virgínia e July haviam voltado ao trabalho normalmente, as duas estavam criando uma campanha publicitária para um famoso buffet infantil da cidade, o Marmelão, que de uns tempos para cá não estava lá essas coisas...

- Graças a Deus a gente terminou o briefing! – July aliviada.

- E ainda tá de dia, olha só... Que mulher indecisa, credo... – Virgínia apertando o alarme do carro.

- Eu só quero comer agora, minha vista tá ficando preta já...

Virgínia riu.

- A Jéssica está servindo p.f. agora na padaria dela, quer ir lá?

- Quer milho bode? – Parou um pouco e perguntou - Eu usei essa expressão do jeito certo?

- Sei lá, eu nem sabia que essa expressão existia, mas relaxa July você é muito mais brasileira que eu... Olha a minha cor pálida esquisita, eu vou ficar transparente daqui a pouco!

As duas riem e seguem caminho até a padaria.

...

A padaria da Jéssica era a mesma onde Jão pediaas coxinhas. Mesmo tendo muitas pessoas qualificadas trabalhando em seu negócio, ela mesma fazia questão de, pelo menos na parte da tarde, ficar na cozinha, lugar que amava.

Quando soube que suas velhas amigas iriam almoçar lá, fez questão de oferecer aquela refeição por conta da casa. Aproveitou para se sentar à mesa com elas e botar o papo em dia...

- E ela cortou o cabelo!

- Não acredito!

Virgínia não gostava de conversar enquanto comia, era a mais calada das três e quando eu digo calada era calada mesmo.

- Virgínia fala alguma coisa!

- Falar e comer ao mesmo tempo engasga. – afirmou Virgínia.

- Que mentir... garsp... – engasgou July.

- Eu não disse? - Virgínia pegando uma garfada banhada com gema dourada de ovo e... Engasga, ao olhar pela janela e ver Nícolas no banco do carona de uma viatura.

- Meu Deus, será que é por causa da pimenta que eu coloquei? – perguntou Jéssica dando uma garfada no prato de Virgínia.

-Hei! – reclamou ela.

- Oi senhoras... - Jão entrou, tirou os óculos e ficou empalidecido ao ver que uma das senhoras era July.

- Oi amor! Que coincidência! - July se levantou e o abraçou.

Jéssica ficou olhando-o de esguio.

- O que foi? – perguntou Virgínia.

- Esse é o policial que todo dia vem pedir propina pra mim!

- Vai lá e fala pra July, o que você está esperando?

- Tem razão amiga!

- É claro que eu tenho... – Virgínia aproveitou que Jéssica saiu para terminar sua refeição em paz.

- July! Que bom que esse policial é o seu namorado!

- É? Por quê? – July perguntou.

Jão suplicava com o olhar para que Jéssica não o entregasse...

- Ele vem todo o dia pedir propina aqui!

- Que mentira! – disse Jão apontando o dedo para Jéssica.

- Esses dias eu disse que não ia dar coxinha para ele e ele ameaçou fazer uma blitz aqui na rua! Você acha que alguém ia querer passar aqui pra comprar alguma coisa?

- Você fez isso mesmo Jão? – July desapontada.

- Sim! – falou Jéssica – Pergunta pra Creuza! Né Creuza?

Uma senhorinha estica o braço caquético de dentro da janela da cozinha com um joinha.

- Eu não acredito Jão! - esbravejou.

- Pois não acredite! - Jão tentando abraçá-la.

- Sai daqui! - July chorando e o empurrando ao mesmo tempo.

Jão dá alguns passos para trás até sair cabisbaixo pela porta.

Jéssica foi confortar a amiga e as duas voltaram a se sentar.

- Eu não acredito... - ela chorando.

- Para de chorar mulher, ainda bem que Deus te mostrou antes quem ele era... Imagina se vocês dois se casam? - Virgínia tomando o resto de sua água de coco.

- Virgínia, você é muito insensível, não precisa falar assim...

- Desculpa... Jéssica, o loirinho da viatura também faz isso?

- Não, mas ele nunca fez nada a respeito, deve deixar o outro fazer todo o trabalho sujo por ele.

- E se ele falou? Não dá pra saber...

- Pois é, não dá para saber, mas de qualquer forma eu não confio nesses policiais! - disse Jéssica

July continuava chorando sem parar.

- Ah... e você vai confiar em quem, nos bandidos? - irritou-se Virgínia - Até onde eu sei você não conseguiu abrir as outras lojas lá no Jaraguá justamente por causa dos roubos!

- Eu não estou dizendo que são todos os policiais, mas tem gente deles que não presta!

- Antes ter só um pouco que não presta do que todos... Tem algum bandido que presta? - observou Virgínia.

- Mas alguns entraram nessa vida por não terem condições...

- O seu pai deve estar se revirando no túmulo Jéssica... - Virgínia rindo.

- Mas é verdade!

- A única verdade que eu vejo aqui é que você acabou de ofender todo mundo que, nas mesmas condições que eles, se esforçam na vida e não precisam prejudicar ninguém!

- Meninas parem! - July tentando enxugar as lágrimas com as costas das mãos.

- Eu não vou parar, depois que a Jéssica começou a namorar aquele progressista idiota, ficou besta...

- Você não sabe de nada Virgínia, sai da minha padaria agora! - Jéssica enfurecida.

- Eu vou mesmo! - Virgínia pega a bolsa e deixa a chave do carro sobre a mesa.

- Espera Virgínia! - July segurando o braço dela.

- Ela me expulsou! Você não viu? Olha o ódio do bem aí... - Virgínia força o braço para baixo e se solta da irmã.

Sem olhar para trás, caminhava a passos firmes... Quando perdeu a padaria de vista, assustou-se ao ouvir um barulho alto de correia e logo em seguida uma freada brusca atrás de si... Duas mãos fortes a agarram pela cintura e a jogam dentro de um carro que ela nem ao menos conseguiu ver a cor.

- Não grite, ou vai ser pior para você... - era uma mulher loira muito bem vestida e com o pescoço adornado por várias joias caras.



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