O Conto da Fênix

Sinopse: Em um mundo pós apocalíptico, as feministas tomaram conta de tudo... Será que seu reinado de ódio contra os homens e sua soberania feminina vai perdurar? Descubra nessa incrível história!

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O Conto da Fênix

Um grupo de mulheres fortes, destemidas e sem nenhum tipo de neurônio, não dos que durassem a longo prazo, invadiram o governo, mataram o presidente, inflaram multidões e tomaram conta de nossa amada nação. Transformando-a no quartel das exaltadas e super valorizadas mulheres Jezabel. Todo o país foi renomeado como Fênix por essas mentes brilhantes (talvez o brilho as tivesse cegado). Segundo elas, assim como a Fênix, a nação tinha renascido das cinzas, para algo mais poderoso e forte, o poder feminino. Homens, principalmente os cristãos, eram fuzilados em praça pública só por tentarem proteger suas mulheres desse domínio brutal e incisivo, e qualquer ato de gentileza por parte deles para com alguém do sexo feminino era duramente censurado. Agora homens e mulheres eram iguais, não havia distinção, uma verdadeira maravilha, principalmente no serviço militar obrigatório. Sim, agora o serviço militar obrigatório, antes pertencente apenas aos homens, era também das mulheres. Nas duas guerras que se seguiram contra o país vizinho, as Jezabels faziam questão de colocar as garotas na linha de frente.

As questões domésticas e as leis referente a maternidade também mudaram. Se você tivesse um bebê não poderia deixar de trabalhar, porque se fosse, mostraria o quanto o sexo feminino era frágil! De modo algum! Nunca! As Jezabels não iam permitir que algo dessa natureza ocorresse, que os homens ficassem em casa e cuidassem dos filhos, ora! E assim foi, as mulheres eram privadas de ficarem com seus filhos, os pequerruchos, para mostrar a não mais igualdade, mas sim sua superioridade contra a raça nojenta dos homens, que só existem para a procriação, lembrando que os homens cristãos estão, mais ainda, em um nível abaixo, é claro.

Ainda com a Fênix, um dos bens mais preciosos, antes negado as mulheres, foi liberado: seus corpos. Elas podiam abortar quando quisessem, o pai não era consultado, e para que precisava? A coisa no útero era um inquilino só delas sem dúvida, e como tal poderia ser despejado a qualquer hora sem aviso prévio pela vossa soberania. Mesmo que isso significasse passar por cima do direito de uma outra vida, que inclusive podia muito bem ser outra mulher.

Os anos passaram, e aquela nação já não saciava mais o desejo de justiça sanguinário das Jezabels, elas precisavam libertar todas as mulheres do mundo e transformá-las em homens... ops, quero dizer supermulheres!

Ninguém precisava ser consultado a respeito, era a evolução, a ordem natural das coisas! Se você, mulher, não aceitasse, era a pobre alma atrasada: a feminina, a mulherzinha e isso não era tolerado... Mulheres retrógradas, como eram chamadas, iam presas e trabalhavam nas minas de Fênix, junto com os homens, a dita escória.

É nessa mina que temos Jane, feminina assumida, seu namorado estava na mina 2309. Esse número além de ser um pouco grande, se levarmos em conta a extensão total do território, estava longe de ser a última mina. No total havia cento e cinquenta mil dessas, quase um terço da população presa e obrigada a avançar na era da escravid... Evolução! Querendo ou não, era um número pesado e significativo de pessoas que não concordavam com essa soberania gloriosa das Jezabels, esse grupo era formado por todo o tipo de pessoas: homens, mulheres...Desculpem, deixe-me organizar a lista novamente, vamos ignorar a ordem alfabética e seguir a ordem correta, o fator de gênero mais importante: MULHERES e homens.

Jane estava empurrando o carregamento que era o dobro do de seu irmão, mesmo que este tivesse muito mais massa muscular que ela. As cargas estavam sendo enviadas morro acima, no galpão A. As minas tinham esse nome, mas eram usadas para designar qualquer tipo de trabalho pesado, sendo realmente uma mina de algum minério, ou uma plantação de soja por exemplo, como era o caso dali.

Eles não conversavam, até respirar era difícil, mais ainda para Jane. Seu irmão surrupiou dois sacos para ajudá-la a carregar aquele peso extra. Um ato de cavalheirismo que com certeza seria punido pelas vigilantes Valquírias, lésbicas. Sim, todas elas tinham que ser lésbicas, e só. Porque qualquer engraçamentocom um homem das minas seria punido com morte, mas se fosse uma mulher seria bem-vindo. Imagine só, talvez sua presença pudesse curar a mente retrograda de sua amada... Na verdade percebemos que o problema aqui são os homens, eles tinham que se ferrar.

Aquele lugar era muito bem vigiado, a chances desse ato opressor e preconceituoso de cavalheirismo sair impune eram quase nulos. Agora era esperar pelo cassetete, mas qual, ou quais dos pares de olhos de rapina tinha visto a cena? O irmão de Jane olhou e a viu, Elsa Tunstal, bem... era o que o crachá dela dizia. Uma loirinha esquálida, mas muito rápida. Mas A Elsa fingiu que não viu nada? Talvez ela estivesse com pena de Jane assim como ele, ou simplesmente estivesse com segundas intenções, o que era mais plausível. Tentaria convidar Jane para sair mais tarde usando esse pequeno episódio para chantageá-los.

A Elsa Tunstal, decidiu se tornar uma Valquíria para ajudar a família, seu salário e prestígio eram quase equivalentes à de qualquer uma das próprias Jezabels. Uma das poucas diferenças entre esses dois regimentos era que algumas das Jezabels tinham cachorrinhos adestrados para procriação, que antes da Fênix eram chamados de maridos. Mas Elsa tinha um problema, ela não era lésbica. Fingia ser uma por pura pressão. Ela fugia das festas das Valquírias como prosperidade no comunismo. Não dava mais para sustentar aquela imagem puritana de lésbica, ou ela ia para alguma daquelas festas e ficava com alguma garota ou pedia transferência para o entro do governo tirano e sanguinário das Jezabels. Nenhuma das duas opções era mais convidativa do que a própria morte, isso a angustiava, as lágrimas escorriam pelo seu queixo.

0h55min, a festa já tinha começado fazia 1h e Elsa estava prestes a se enforcar. Ela fechou os olhos, tentou orar, talvez o criador tivesse pena de sua alma. Ao fazer isso a imagem do irmão de Jane sorrindo a fez recuar. Ela nunca mais veria o rosto dele novamente, seu belo sorriso, e nem ouviria o seu assobio da icônica canção Amazing Grace. Era estranho, mas esse assobio foi uma correnteza suficientemente poderosa que a arrancou daquele naufrágio. Seu amor não podia morrer com ela, precisava confessá-lo antes de partir. Danem-se as Valquírias e as Jezabels, ela morreria mesmo, mas que fosse nos braços dele.

O estrondo de uma grande explosão e um terremoto fizeram o caibro de onde sua corda estava cair, junto com a viga de sustentação do teto e a parte da frente de sua casa. Sua visão foi tomada instantaneamente por uma grande nuvem de fumaça preta e pegajosa, fumaça essa que parecia ter sido inspirada no reinado das Jezabels.

Dois faróis altos surgiram no meio da escuridão, e mais outro, e outro... Dezenas deles, andando no meio das ruas em direção a saída principal na frente da mina. Eram veículos de transporte de carga, mas aquele horário não era propicio a circulação deles. Estava na cara, era um motim, se aproveitaram da farra das Valquírias para vir à tona.

Elsa só pensou no irmão de Jane, onde ele podia estar? Precisava encontrá-lo antes que as Valquírias o fizessem. Ele podia morrer quando elas tentassem encontrar culpados para aquilo tudo, ou porque (a final de contas) ele era homem e homens sempre são culpados de alguma coisa... Enfim, ela precisava protegê-lo.

As Valquírias já haviam se organizado e voavam como loucas em suas motos estilizadas, atrás dos fujões. Elsa pensou em ir até ao acampamento deles para averiguar se o senhor sorriso perfeito havia fugidocom os outros. Mas todos fugiram, era o que ela havia acabado de escutar em seu ponto eletrônico pela comandante-mor, também chamada de Freia. Então, oficialmente se tornou uma desertora, ela iria onde ele fosse. Danem-se as Valquírias e as Jezabels.

Ela pegou sua moto, foi até o quartel de armas e amarrou consigo alguns explosivos, ninguém a questionou, a final era a lenda Elsa, a geada invernal. Depois correu, também como louca, mas uma louca apaixonada. Estava atrasada e sabia disso, devia ganhar tempo, a única forma era por um atalho. Ela conhecia um excelente, de uma das vezes em que teve que fugir de uma das festas das Valquírias, corria por ele agora... A ruela era estreita e tremelicante completamente irregular. O barranco logo a frente era um verdadeiro salto para a morte, do outro lado estava a ponte por onde os comboios de fugitivos passavam... No momento em que o último deles atravessou, ela e sua moto caíram com estilo na frente da Freia.

Elsa tirou seu casaco rapidamente ainda com o coração na boca, se empertigou e disse sem esmorecer ou gaguejar que explodiria a ponte com todas ali se não os deixassem ir em paz. A Freia se mostrou perplexa, Elsa era uma de suas favoritas, como ela podia ter regredido tanto assim? Alguém a havia contaminado, alguma das prisioneiras, Elsa era jovem, alguma garota a havia iludido com certeza, talvez...Um garoto, irmão de quem? Jane? Como assim? Elsa fazia seu discurso a plenos pulmões e era difícil acreditar. Homens são uma raça sórdida mesmo, esse desgraçado a havia iludido e merecia pagar.

A ponte tremeu, mas não por nenhum dos explosivos de Elsa, mais outro tremor e o chão ruiu sobre seus pés como um cada falso. Todas caíram, havia um rio impetuoso lá em baixo, se ela não morresse afogada morreria de frio, mas não importava, pelo menos sua carta de alforria tinha sido ouvida, ela podia morrer em paz. O frio da água cortava seus ossos como pequenas navalhas, uma forte corrente a levou... Sentiu uma forte pancada na cabeça...

Escuridão, calor, muito calor, ela tremeu, estava no inferno? Abriu os olhos sobressaltada. Havia uma fogueira a sua frente e um cobertor que envolvia toda a parte superior de seu corpo, não, era uma jaqueta de couro com forro de lã branca. Ela passou a mão sobre sua cabeça onde havia um curativo. Estava bem, mas quem a havia salvado? Seu coração teve outro sobressalto quando ela viu seu salva-vidas, era um sonho ver o irmão de Jane tão próximo e sorrindo só para ela. Ele perguntou se ela estava bem, Elsa só meneou a cabeça com um tímido sim. O senhor-sorriso-perfeito estava sem proteção nenhuma, os braços completamente nus. A primeira reação de Elsa foi tirar a jaqueta de sobre si e estender a ele. Ele sorriu novamente e recusou com um aceno. Era uma sensação estranhamente boa, Elsa nunca tinha se sentido assim tão protegida, logo se deitou novamente e dormiu.

Na manhã seguinte o irmão de Jane acordou com um cheiro maravilhoso de alguma coisa refogada com bacon! Era Elsa a chef da selva, que já estava de pé. De onde aquela garota havia arranjado uma panela e bacon? Ele não perguntou, apenas agradeceu pela comida. Os dois comeram em silêncio, Elsa pensou que se alguma das Jezabels a vissem cozinhando para um homem com certeza a fuzilariam e jogariam seus restos mortais em algum caldeirão de água fervente. Depois que terminaram a refeição, Elsa rompeu o silêncio e perguntou por quanto tempo havia ficado apagada. Ele apenas ergueu o indicador sorrindo, e decidiu continuar a conversa perguntando-lhe se estava cansada da opressão das Jezabels. Elsa disse que sim, e que elas a privaram de um de seus maiores sonhos. Ele perguntou qual era, Elsa abaixou a cabeça envergonhada dizendo que se sentia uma idiota de pensar assim e que era considerado politicamente incorreto na sociedade da Fênix. Danem-se as Valquírias e as Jezabels, você está livre agora, ele disse. Elsa concordou veementemente, ele tinha razão, estava livre agora. Mas contar seu sonho a ele ainda era constrangedor, por que o senhor- sorriso-perfeito fazia parte dele, então decidiu omitir a parte que lhe cabia naquela história e simplesmente disse: quero me casar e ter uma família, ficar em casa e cuidar deles até crescerem, esperaria meu marido todos os dias com o jantar sobre a mesa e teria um belo atelier de arte no qual venderia meus lindos quadros a todas as pessoas, as faria felizes com minha arte. Depois de confessar-lhe isso ela podia jurar que ia ouvir uma risada ou algum outro tipo de zombaria, mas foi o contrário. Ele apenas alargou ainda mais seu sorriso e disse que esse sonho agora podia ser real, disse-lhe ainda que as Jezabels haviam sido destituídas de seus cargos e estavam presas, seu governo havia ruído tão rápido quanto havia chegado ao poder... No final aproveitou para falhar-lhe seu nome: Adão.

Elsa não teve curiosidade de perguntar como se deu tudo isso, também não importava, ela e Adão estavam tão próximos agora, não havia guerra entre eles, não um mais importante que o outro, eram duas metades diferentes que se completavam, como devia ser.

FIM






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